Noite fria...

Dezembro 25, 1999

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Noite escura, sem estrelas,
uma lua escusa entre negras nuvens,
não se vê vivalma nas ruas empedradas,
a chuva cai incessantemente.
Gotas frias de pura agua,
por entre os cada vez mais numerosos flocos brancos.
Pouco a pouco as ruas se transformam num leito branco,
fica uma aldeia inerte, gelada.
Noite como breu,
só lá longe, por entre pinheiros e abetos,
se vê uma luz débil fraca, deslocada.
Oriunda de um pequeno casebre,
iluminada por uma lamparina a óleo, que se havia perdido no tempo,
mas naquela noite emanava claridade e calor imenso.
Lá dentro um casal de jovens,
amam-se de forma intensa e vigorosa,
seus corpos unidos um ao outro,
enrolados numa manta de lã.
O calor que seus corpos desnudos libertam,
todo o exíguo compartimento aquece.
Lá fora a noite gélida intensifica-se,
mas no pequeno abrigo o calor é cada vez maior,
seus corpos cada vez mais unos.
O momento tem tanto de belo, como de indescritível.
Nada os incomoda, até…que adormeceram extenuados…
Noite fora, dormindo abraçados, as horas foram passando,
avizinhava-se o termo de tão deleitoso momento.
Sobressaltou-se o jovem casal do seu leito de paixão,
manhã cedo, era chegada a hora do adeus,
Não houveram palavras possíveis de mencionar,
Palavras que não deixassem dor…
Despediram-se com belo e longo apaixonado beijo,
ele parte para a sua vida citadina,
ela fica, saudosa da sua presença.
O momento a medida que o tempo passa,
Esvai-se em doces lembranças,
Recordações jamais esquecidas,
Pois não mais eu lá voltei…