Janeiro 08, 2009
...Mais uma vez deixei o corpo descansar durante a manhã, acordou-me o telefonema da colega do metro...afinal, eu sempre tinha razão e havia existido uma vitima, e ainda por cima o meu prognostico encontrava-se correctíssimo... pois é contra todas as opiniões havia acertado em cheio, o patrão, que não era patrão, não passava de um simples responsável por algumas áreas, demitido, já era... pois e agora???
Reinava a confusão, longe dali uma reunião super importante, sairia dali algum resultado pratico, alguma luz ao fundo do túnel?? Eram mais incertezas e questões, mais duvidas e preocupações… Acorri ao escritório era necessário inventariar tudo que estava prostrado nas inúmeras salas que o compunham.
Chegado ao escritório, deparei-me com a colega do metro sentada nas escadas em frente á loja, fumando o seu milionésimo cigarro do dia, fumava que nem uma chaminé esta rapariga. Após a cumprimentar entrei, no compartimento habitual lá estava ele, até hoje super atarefado, arrumava os seus pertences e fazia mil e um telefonemas por minuto, aliás como sempre. Parecia perturbado, nervoso…
Mesmo antes de o questionar fosse sobre o que fosse, tomou a iniciativa de me informar que se havia demitido na noite anterior, “ - demitiu-se?”, retorqui.
Sim estava farto de ser tratado daquela forma, não podia permitir que a sua saúde estivesse em risco, pior não podia permitir que a sua família passasse fome, senta-mos, e como muitas outras vezes desabafou e contou-me o que lhe ia na alma. Complicado era este homem, passava agora por uma situação ingrata e desumana, como muitas outras havia ele próprio praticado contra terceiros. Queria sentir pena dele, mas à memória vinham-me sempre imagens como as da forma que tratou o nosso anjo, ou até mesmo o nosso samurai.
O nosso samurai tinha colaborado connosco umas semanas antes, tinha-mos percorrido o país quase de lés a lés, ensinou-me o que pode da sua arte e ao mesmo tempo criamos uma amizade que espero que perdure no tempo, era um rapaz bastante divertido e alegre, sempre pronto para a brincadeira, mas havia sido dispensado de forma rude, e ainda aguardava que as suas contas fossem saldadas.
Contava-me o que se tinha passado e como havia feito sofrer a sua família por este projecto, lembrava-me do episódio em que lhe tinha emprestado dinheiro para comprar pão uns míseros trocados, de como arrastara a sua família 600km para uma nova realidade em que nem condições tinha para viver, via-se agora obrigado a regressar.
Viam-se as lágrimas correr o rosto, enquanto soluçava algumas palavras, o homem que tanto protegia e servia com demasiada confiança considerava-o agora um proscrito, indesejável traidor, era agora tratado como outrora tratara outros…
Aguardávamos ansiosos pelas noticias sobre tão importante reunião, que decisões dai adviriam, que futuro nos reservariam…


0 comentários:
Enviar um comentário