Janeiro 05, 2009
...Começa o ano... de trabalho, é Segunda-Feira, o frio corre pelo meu corpo, sinto-me entorpecido, preso de movimentos, dá-se o inicio da luta do dia-a-dia.
Sou o primeiro a chegar, à minha espera tenho uma sala despida de luz, no escuro vislumbro uma silhueta de alguém sempre apressado de telefone na mão, à medida que me aproximo ouço a sua voz dura com palavras ditas depressa de mais, quase sempre imperceptíveis, sim o meu chefe.
Levantou os olhos e deu comigo impávido e sereno à porta da sala, soltou um sonoro Bom Dia ainda que de forma áspera, retorqui de modo simpático como sempre...
O trabalho por estes dias não abunda e vivemos numa incerteza do que temos para fazer, por isso passado 10 minutos da minha chegada, estava de saída para ir buscar a minha colega de trabalho à paragem de metro, já num faz tanto frio lá fora, o sol aquece-me o rosto com seus brilhantes raios de luz, o seu calor faz-me o corpo arrepiar, ela parece que acaba de chegar do pólo norte tal é o modo que treme...
De volta ao escritório, mais uma vez sem nada para fazer, vamos entretendo o teclado do computador como algo houvesse para fazer...parecia estarmos parados no tempo pois este teimava em correr de forma demasiado lenta...entretanto chegou a nossa menina, alegre e tímida como sempre com o seu ar angelical, deixando-nos embevecidos, seguiram-se os cumprimentos da praxe para a época.
As noticias dos dias anteriores, deixavam-nos apreensivos, parecia que algo estava para acontecer, à imagem do que se havia passado noutro ponto do país onde 30 pessoas haviam sido despedidas, e sendo elas empregadas do mesmo patrão que nós, respirava-se a desconfiança e preocupação. Não era em vão, não senhor... a bomba que tanto esperava-mos não acontecer, cairia mesmo no meio de nós da forma mais cruel possível.
Num acto de cobardia, só possível em seres que não humanos, o patrão questionava o nosso anjo sem retirar os olhos do ecrã do computador, mesmo não executando qualquer tarefa, sentia-se a falta de coragem para enfrentar o que ai vinha... então vociferou de um modo seco e vil..."a partir deste momento não trabalha mais connosco", não permitindo qualquer tipo de argumentação ou pedido de justificação para tal decisão tão inócua e sem sentido.
Ficamos boquiabertos, incrédulos perante tanta austeridade em lidar com uma situação tão delicada, restava-nos consolar o nosso pequeno anjo, como amigos fazíamos o que estava ao nosso alcance, ao mesmo tempo as notícias iam chegando, e nenhuma fazia adivinhar um futuro risonho, deixando a apreensão crescer a cada segundo entre nós.
O projecto de expansão que meses antes parecia uma aventura deliciosa e nos cativava para um mundo novo e nos deixava plenos de confiança no sucesso, era agora cada vez mais uma empreitada a ruir bloco por bloco, afundava-se tal qual um barco mesmo antes de ter passado a barra do porto.
Ouve-se e fala-se muita coisa mas mesmo antes do final do dia, começa-se a desmontar o que semanas antes havia-mos construído, no ar fica o amargo da desconfiança e incerteza do que o futuro nos trará...


0 comentários:
Enviar um comentário