Janeiro 21, 2009
Sim onde está aquele jovem aguerrido, que acabava de chegar ao duro mundo do trabalho de peito feito, crente de ser invencível, capaz dos maiores feitos, porque trazia consigo a melhor nota do curso que findara semanas antes.
O primeiro trabalho parecia feito a sua medida, cheio de ideias e projectos frescos, naturais de quem vinha agora verdinho, e em que a vontade e confiança eram mais que muitas.
Fez tudo que lhe parecia capaz, não negou esforços, não se confinou a uma secretaria e ávido de informação, aprendeu tudo quanto lhe deram a aprender, ao fim do primeiro contrato a renovação mais que justa, era um prémio, envenenado talvez. O segundo contrato não chegou ao fim, estava ciente do que o projecto estava concluído e pronto a rolar, haveria gente mais barata no mercado para fazer o seu trabalho.
Não passaram duas semanas, e novos empregadores um projecto colocavam em suas mãos, trazia do anterior credibilidade, não se fez rogado, novos processos, nova mecânica mas tudo assimilou de forma sagaz, o seu feitio empreendedor, depressa o empurrou para outros voos, mas uma vez o primeiro contracto renovado, continuou a trabalhar de forma convicta, tão convicta que era já peça fulcral numa engrenagem que não podia parar, muito tinha feito, mas outro tanto faltava fazer. Tomou coragem e reivindicou o que seu achava de direito, nada lhe foi negado para seu espanto, e sem temor jurou a ele próprio concluir o que tinha em mãos.
Concluiu sim senhora, mas com isso findou também a sua utilidade, havia sido perfeito demais, qualquer um poderia agora continuar e manter o que havia feito.
Dias depois começaria um novo ano, e com ele um novo mundo, um novo meio, um mercado diferente. Uma oportunidade de trabalhar com aquele que seu irmão foi nos tempos de curso, alias trabalhar para.
Este era diferente, pouco ou nada teria a ver com a sua formação, mas não seria diferente a sua forma, a sua vontade o seu empenho, durante ano e meio de tudo fez, acordou a horas que nada fazia prever, trabalhou até horas que não se trabalha, trabalhou em condições desumanas até.
Não desistiu, buscou seus sonhos, dentro das suas possibilidades, pegou nas suas trouxas e lançou-se por sua conta e risco. Tinha agora o seu negócio, muniu-se de todas as suas capacidades e procurou fazer florescer o negócio que sempre sonhara, os tempos eram difíceis o meio em que estava implantado não ajudava, mas foi resistindo, resistindo…
O fim era inevitável, as despesas mais que muitas, e o negócio estava estagnado, mas ele agora tinha algo que lhe faltara antes, não falo de sorte mas de contactos, tinha novos meios de se garantir, sem pejo usou-os e proveito dai tirou.
O seu ser, a sua forma de estar garantiu que literalmente em poucas horas, tivesse de novo um projecto que considerava à sua medida. Um empresário da capital deixava nas suas mãos a responsabilidade de criar e gerir o seu negócio, numa das maiores cidades do país.
Sem temor, agarrou a oportunidade com unhas e dentes, e em pouco tempo estava pela primeira vez satisfeito com o seu trabalho, tinha responsabilidade, sucesso e reconhecimento.
Certamente gostaria de dizer que a história ficaria por aqui, mas não infelizmente não.
Conjunturas e oportunidades fazem nascer e ruir negócios, vidas até… aquele que lhe tinha depositado tanta confiança e responsabilidade via-se agora obrigado a tirar-lhe o tapete, não resistindo á traição de outros. Terminava assim mais um episódio da sua odisseia.
Os tempos eram mais difíceis, não seria desta vez tão fácil encontrar solução para com o que se acabava de deparar, mas nunca foi de desistir, e se na sua área não havia futuro era hora de mudar o seu rumo.
Estava quase a dois meses sem nada fazer, sentindo-se um inútil, entrevistas atrás de entrevistas, havia apontado baterias a um projecto mas esperava respostas.
Uma oportunidade única, um cargo importante estava a sua disposição, apenas teria de passar três semanas em formação, sem problema pensou.
Parecia que novos caminhos se abriam, mas não durou três dias, já era homem feito, não tolerou ser tratado como um animal, um escravo para divertimento de outros.
As entrevistas, essas, começavam a dar algum fruto, sem tirar do pensamento projecto em que acreditava, aceitou algo parecido para ganhar experiência, não seria fácil, mas nada que não estivesse ao seu alcance.
Durante seis meses em que pela primeira vez experimentou usar gravata todos os dias, foi ganhando o que tanto queria, a remuneração não era grande coisa mas valia pelo saber adquirido, os resultados iam melhorando a olhos vistos e enquanto não chegava a hora que tanto ansiava aproveitava todos os momentos para se tornar melhor.
A hora chegou, o projecto que tanto ansiava esperava agora por ele, encheu o peito e encarou com coragem e vontade o que ai vinha.
Tinha pela sua frente um projecto ambicioso, de difícil execução e estaria ele preparado? Sim estava, até demais.
O projecto consistia pegar num serviço e fazer com que passasse do pior aos melhores lugares do grupo, mesmo sendo este de difícil crescimento.
Passou a trabalhar horas a fio, em que muitas vezes os dias não terminavam com menos de 15 a 16 horas de dura labuta, além dos resultados lutava por uma equipa que há muito que se tornara um conjunto de individualidades, subdividida por interesses não comuns.
Seis meses em que obrigatoriamente a família havia ficado para segundo plano, seis meses duros, que deram os seus frutos, a sua ambição era tal que a cada dia mostrava ser capaz de mais e de melhor, os prémios e reconhecimento eram desfecho natural. Batia recordes , era o primeiro não efectivo a dar formação aos mais novos, o seu serviço crescia a olhos vistos e já há muito que ocupava os lugares cimeiros da tabela.
Começava a unir o grupo ao seu redor, a lutar por objectivos comuns, era cada vez mais um exemplo, uma muleta da chefia.
Alguns meses depois e após uns tempos conturbados, as mudanças de chefias, novas oportunidades trouxeram, sem pejo candidatou-se a um lugar nessas mesmas chefias, e mesmo contra todas as expectativas, lutando contra colegas muito mais experientes, muito mais dotados de meios, as suas capacidades foram valorizadas e mais uma vez agarrou a oportunidade tornando-se o 1.º não efectivo a chegar a suplente do chefe…
Agora já num era, tinha de ser um exemplo, as responsabilidades como que se multiplicaram exponencialmente e bastava um simples erro para deitar por terra tudo pelo que tinha lutado.
E isso acabou por acontecer, havia chegado o dia em que ele tinha errado, feito o que não devia. O seu orgulho não permitiu, não aguentou e partiu para outra aventura.
Mês e meio depois estava de volta, naquele que desde o primeiro segundo não abraçava como um projecto mas sim como um sonho utópico de um qualquer excêntrico sem noção do que estava a fazer… a falta de outro seguiu em frente mas tal como esperava ao fim de 3 meses surgiu a falência de algo que nunca chegou a ser…
Onde está? … está desempregado.


1 comentários:
Será q conheço essa pessoa de qem falas??
Será q um dia a virei a conhecer??
Ou será q ja a conheço??
So tu o sabes :S
Mas seja qem for essa pessoa,dou lhe um conselho: siga com a vida para a frente, de cabeça levantada e que não se deixe ir abaixo por opinioes alheias
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