Setembro 29, 1999
Eis me aqui chegado
- Algo isto me faz lembrar
Por entre verde vegetação
Eis me aqui encontrado
- Sinto isto já ter vivido Sitio tão só, tão belo,
Areia fina, e de novo me "enterro"
No ar uma brisa fresca, salgada ao sabor
- Recordações me trazem.
Som profundo, intenso até
Melodicamente entoado
- Mais uma vez me "envolve"
Dezenas de belas aves o fitam
Deixando que seja "ele" a decidir
- Sinto meus passos "cuidados"
O céu cinzento, repleto de nuvens
Por entre estas, um brilho escondido
- De novo sonho, mais um.
Ao longo de toda a sua extensão
Nem vivalma se vê, uma planície rebuscada
Adornada por urna maré "serrada"
Irrompida por um promontório
Bem lá longe, de belas e aguçadas escarpas negras
- Perigo que faço por ignorar.
O frio, esse, é cada vez mais intenso
O horizonte, agora, mais incerto
Ao longe alguns vultos se vislumbram
Não se aproximam
- É algo que sei, tenho de só o fazer.
O sol irrompe, por momentos, os céus
Resplandecendo nas bravias águas
Criando uma imagem que engrandece a alma
- Fazendo-me acreditar no que não devo?
Acendo um cigarro, que me aqueça o corpo
Pois alma, não conheço mais quente que a minha
O tempo depressa passou, ainda agora parece ter começado.
- Já tanto julgo eu saber.
Faz agora cada vez mais escuro
Nem réstia de sol,
- Nem réstia de esperança.
O frio corta, as lágrimas escorridas do meu rosto
- Lágrimas que sempre escondi.
Nem um palmo a minha frente vejo.
- Rumo sem certezas.
Levanto-me, sinto o corpo enregelado
- Desejando, que o coração assim se encontre.
Bamboleando no escuro
Sem saber o que me cerca
Julgando saber o terreno que piso
Procuro o trilho
- Que me leve a um estado de graça.
Ando infinitamente, procurando.
- Simplesmente sem saber o que posso encontrar.
Recolho-me então no interior do carro
Procurando aquecer o corpo
Afago o rosto com as mãos
Querendo não lembrar, esquecer
- Quem sou, o que sou.
Ligo o Rádio ...
Sons grandiosos eu ouço,
De magnificência tal, não antes ouvida
Modernos, melodicamente acompanhados
Em pura sinfonia com a alma
Lembrando-me, o que faço por esquecer.
Viajo de regresso.
- Sem vontade de voltar.
Ao mundo onde nada é fácil
Ao meu mundo, de onde muito me exijo
Querendo apagar, quão imaturo eu sou
- Não me sinto incompreendido.
- Não quero é que me compreendam.
Não terei "vida" se assim não for.
Cada vez mais perto do que me quero afastar
Do mundo em que vivo
Ao qual perpetuamente condenado fui.
Porque quero eu a verdade?
Se dói que se farta.
Ao meu mundo chegado
Relembro a minha jornada
Continuando sem saber porque sonho
Com mais com que alguma vez poderei ter
Sem saber como fugir do que sou.
- Tudo faço para não pensar.
Para deixar de tentar compreender.
- Busco então a imperfeição?
Para que não mais ame.
- Procuro todo o tipo de impossibilidades.
Justificando assim o abandono
De uma causa, de inicio perdida.
- Desejo, meu coração de novo gelar,
- Que erradamente entra em ebulição,
- Sempre que não deve, por quem não pode.
Porque sonho eu , se sei, é direito que não tenho.
Meus adversários, admiro, pela sorte que tem
Quem perdoem por lutar, sem inscrito estar.
De novo caio, de novo me levanto
Tenho tempo, sou jovem, muito ... imaturo até.
Muito para aprender
E decerto um longo caminho, para que tal aconteça.
Sempre soube, só por vezes não quis acreditar
Não sou perfeito, muito longe disso até
Talvez o dom de saber falar eu tenha,
Mal de mim, pois até eu logrado fui
Só me resta a vontade de mudar, de lutar
Mesmo sabendo que em certos "aspectos" ...
Se a rocha se molda, esculpe,
Já o fogo ... não!


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