Segundo dia...

Janeiro 06, 2009

Segundo dia e a preocupação é nota evidente na minha expressão facial, a meio da viagem para o escritório, um telefonema, era a colega da paragem do metro...antes de atender, mil foram os pensamentos e todos eles não adivinhavam nada de bom, afinal não era comum receber um telefonema dela aquela hora, afinal estava preocupado a toa, havia perdido o autocarro e precisava de boleia, mais anormal que tudo isto era o facto de me encontrar pessimista e não interessa se muito ou pouco, só o facto de o estar era de todo uma raridade que já não enfrentava há algum tempo.
Ela vivia com uma colega num apartamento, longe da sua terra natal, este emprego a isso obrigava.
Ela por si só já era capaz das maiores desventuras, tudo lhe acontecia, incrível... durante a viagem contava-me a sua última demanda em busca do impossível do disparate, da noite anterior... havia saído do trabalho mais cedo, estava exausta e precisava de descansar, transportava consigo a mala de viagem que havia trazido consigo, acabara de chegar da casa dos pais onde passara as festas da época.
Houve alterações nos horários dos autocarros e acabou por ficar a meio da viagem num local ermo, pois perdera a ligação para o autocarro seguinte a sua única alternativa era agora uma pequena estação de comboios, mas a viagem iria demorar mais que o desejado, naquele local escuro, sozinha, sentia a corpo tremer, e não de frio mas de receio, um grupo de jovens passeava-se bem perto no seu mundo, o medo apoderou-se dela e acabou por se refugiar num pequeno bar do local onde os presentes tinham tudo menos um aspecto agradável, a vista do primeiro comboio, saiu em passo de corrida para o mesmo só parando quando se sentiu protegida pelo bancos de 2.ª classe da carruagem. Ainda tremia quando o comboio começou a solavancar os movimentos. A medo levantou os olhos procurando algum conforto na paisagem nocturna, como esperasse encontrar algo único naquelas paragens...
E encontrou, encontrou apeadeiros e estações que a levavam agora para o sentido oposto do seu destino, o medo havia-a levado a entrar no comboio errado, voltava-se se a encolher entre os bancos com medo ser descoberta pois viajava para um destino para o qual não possuía bilhete... felizmente chegou...e chegou ao tão desejado destino mas 4 horas depois do pretendido quando normalmente faria a viagem em apenas 30 minutos...
Ainda o dia tinha começado e eu já me ria como um perdido, com tal história mirabolante, nem nos livros se lê melhor...
Mas esta alegria não duraria até ao fim do dia. A manha por incrível que pareça acabou sem sobressaltos.
A bomba do dia viria mesmo antes da hora de almoço, o mesmo homem que ontem tinha sido cobarde e vil ao mesmo tempo, pedia-me agora um minuto do meu tempo precisava falar comigo a sós. Adivinhava-se o que viria a seguir... e veio iriam dispensar os meus serviços na próxima semana ou logo que acertassem as minhas contas, desta vez falou de um modo calmo e cordial como se temesse que algo acontecesse, e respondeu a todas as questões com que o interpelei, mas parecia estar decidido pelas mais altas patentes eu era dispensável.
Perdi a vontade, a tarde custou a passar, senti-me perdido, precisava de me encontrar... mais uma vez.

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