We get there!

Janeiro 20, 2009

17 horas de Lisboa…
Neste momento do outro lado oceano a mudança acontece, assim é vista aos olhos do mundo a toma de posse do 44.º presidente dos E.U.A., um afro-americano de 47 anos.

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Não fosse o primeiro negro a chegar a tal cargo e tudo isto passaria sem grande celeuma, e ficaria remetido ao livro de Wallace que há 40 anos espantou tudo e todos ao publicar um conto onde o presidente da América seria negro num mundo então completamente irreal.
Por ser quem é, por ter a capacidade de mobilizar e entusiasmar multidões, foi capaz de aglomerar mais de 2 milhões de pessoas crentes que será capaz de grandes feitos, para “in loco” presenciarem a sua tomada de posse e beberem da sua retórica e do seu pragmatismo.
Este era um dia feito de encomenda para ele, um dia solarengo, onde o frio cortante era abafado pelo calor da imensa multidão, todos os protocolos seguidos a risca, onde não faltou, a pretensa possibilidade de tentativa de atentado, que disso mesmo não passou.
As normas de segurança ultrapassam desta vez todas outras alguma vez vistas, muito por culpa do próprio Barack e das suas raízes e raça mas também não estiveram ausentes os medos pelo facto do passado nos ter tirado Martin Luther King ou mesmo John F. Kennedy, profetas então de mudanças.
Além de esta ser uma eleição única, a primeira de um presidente negro na história deste país, é também uma fuga das chamadas famílias reais do poder, desta vez não é um Bush um Kennedy ou mesmo um Clinton, é apenas um senador jovem, objectivo e eloquente.
Barack foi anunciado na instalação sonora do recinto como “The elected president Barack H. Obama”, para quem é conhecedor não passou despercebido a forma como foi ocultado o seu nome do meio “Hussein” , talvez uma decisão politica, de modo a evitar lembrar o ultimo ditador derrubado, se ignorarmos Bush, ou porque simplesmente é traço cultural e comum os Americanos abreviarem o nome do meio.

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O momento solene chegou, Barack H. Obama, com a mão direita sobre a bíblia de “Abraham Lincoln” proferiu o juramento “Eu solenemente juro que vou executar… fielmente… o cargo de presidente dos Estados Unidos, e vou fazer o possível para proteger, preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos” , o sempre impenetrável Barack havia ao fim de ano e meio de campanha onde não cometeu qualquer falha e derrotou nomes como Hillary Clinton primeiro e depois Jonh McCain, num período extenso onde era comum dormir apenas 5 horas por dia, em viagens constantes , longe da sua família, a maquina falhou e cedeu perante os nervos da situação, engasgou-se. Ainda assim terminou o juramento da mesma forma que todos os presidentes desde George Washington "So help me God", apesar de toda a polémica criada nos dias anteriores a este evento em que este termo não deveria ser usado.

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Seguiu-se o seu discurso, momento que a multidão esperava ansiosamente, não posso dizer que tenha desiludido, mas talvez as nossas, talvez as minhas expectativas fossem demasiado elevadas, deu larga ao seu discurso de retórica tal qual Aristóteles nos ensinou, usou o seu pragmatismo adocicado de frases poéticas para nos lembrar que só a união das pessoas nos ajudara a vencer a crise, a América precisa de se reinventar e vejo-o capaz de o fazer à imagem de uma Europa que outrora foi.
Fica o "Acreditar", YES WE CAN!

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