Fevereiro 17, 2009
Não faz muito tempo que nevou por aqui. Pela primeira vez, desde que sou homem de barba feita, vi neve cair nesta zona. É um fenómeno meteorológico inabitual e que, por isso, surpreendeu muita gente. Não durou muito e não causou problemas. Fez-me, no entanto, pensar nas consequências de alterações climáticas duradouras, como o aquecimento global, um problema explorado neste livro que acabo de ler.
Em O Sétimo Selo, José Rodrigues dos Santos volta a apresentar como personagem principal Tomás Noronha, especialista em línguas antigas e criptanálise. Apesar disso, o livro trata dois assuntos bastante actuais: o aquecimento global e o iminente fim do petróleo.
Um cientista é assassinado na Antárctica e a Interpol contacta Tomás Noronha para decifrar um enigma com mais de mil anos, um segredo bíblico que o criminoso rabiscou numa folha e deixou ao lado do cadáver: 666.
O mistério em torno do número da Besta lança Tomás numa aventura de tirar o fôlego, uma busca que o levará a confrontar-se com o momento mais temido por toda a humanidade: O apocalipse.
De Portugal à Sibéria, da Antárctica à Austrália, O Sétimo Selo transporta-nos numa viagem às maiores ameaças que se erguem à sobrevivência da Humanidade. Revela-nos uma descoberta que poderá abalar a forma como cada um de nós encara o futuro da humanidade e do nosso planeta.
Neste romance, mais um vez o autor conduz o protagonista numa aventura em busca da resolução de um mistério irresolúvel. No entanto a inutilidade da demanda de Tomás foi o que mais me desiludiu. O professor universitário não passa de uma sombra que nos acompanha ao longo da leitura.
A narração da vida pessoal e familiar do protagonista continua a aborrecer-me, mas há sem dúvida um progresso neste ponto, muito por culpa da diminuição das páginas que lhe foram dedicadas.
O sétimo selo é a bíblica advertência da hecatombe decisiva. Rebentado aquele com o fim das reservas de petróleo fora do mundo árabe e a cada vez maior dependência do ocidente dos abundantes recursos da Arábia Saudita, resta um cenário de política energética ruinoso e de rupturas civilizacionais que auguram o colapso do império ocidental.
É com alguma frustração que concluo que na verdade não diz nada de novo.
Este livro tem ainda assim o dom de avisar os mais incautos e avivar a consciência ambiental e social.
Este é muito provavelmente o último livro que leio deste autor por isso permito-me alongar-me na critica.
A escrita de J.R.S., é ultra leve. Não apresenta erros de sintaxe, é fluente e pouco influente.
Não é de uma grande literatura mas também não deixa de ser um tipo de literatura. Não ofende, não fere, não inova.
Neste livro ficam a descoberto muitas fragilidades de enredo, Não é possível que um professor de História “contratado” pela “Interpol” não saiba que, na Praça Vermelha, de Moscovo, o Kremlin e a catedral de S. Basílio são edifícios distintos. E foi com graciosidades do estilo que J.R.S. alongou o romance até ao número de páginas necessárias ao cumprimento dos objectivos do editor.



1 comentários:
JRS, é assim tipo "escritor a metro".
Outra coisa que não me agrada é a existência de "demasiadas semelhanças" entre o livro dele "A filha do Capitão" e o "Adeus às armas" do Ernest Hemingway.
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